Desconstruindo Pessoas Controladoras
O controlador é alguém que interfere no livre arbítrio do outro. Logo, o que torna o relacionamento com pessoas controladoras tóxico, está no fato de que controle e agressão aqui se caracterizam na mesma coisa. Sim, ainda que essas palavras pareçam um tanto fortes, a agressão aqui é executada de maneira passiva; isto é, com linguagem e comportamento manipulador.
Todavia, boa parte das pessoas controladoras não costumam possuir certa consciência da natureza de seus atos, uma vez que a roupagem dada a seus comportamentos costuma a confundir-se com a ideia de zelo.
Ainda assim, são pessoas cujos comportamentos são passíveis de serem identificados com facilidade, visto que esse tipo de pessoa tende a decidir constantemente pelo outro.
A respeito desse comportamento passivo-manipulador, é importante que fique registrado: mesmo que pareça haver ali uma intensão de ajudar (zelo), as atitudes de pessoas controladoras implicam habitualmente em sabotar o outro. Ou seja, a pessoa controladora tende a conduzir as rédeas da vida de pessoas que se mostrem passivas a ela, inclusive, poupando estas de quais quer decisões que possam ter por si mesmas.
1. Chantagem emocional: A Arma Certeira da Pessoa Manipuladora
As Pessoas Controladoras costumam ter êxito em suas empreitadas, uma vez que suas atitudes manipuladoras se baseiam na chantagem emocional como forma de manter o domínio sobre o outro.
As chantagens aqui, seguem um padrão, que visa sempre em retirar do outro sua validação sobre sua própria vida.
A pessoa controladora exerce esse domínio quando apela para a ideia de superioridade, a qual tende a mostrar ao outro que o mesmo não tem condições de pensar sozinho, de decidir sozinho porque lhe faltaria “capacidade”. Ou, quem diria! Também pode exercê-lo por meio do vitimíssimo.
O Agressor Sempre Fará com que o Outro se Sinta Culpado
Portanto, muita atenção com cenas de choro, com frases apelativas do tipo “Vou me jogar do prédio”, afinal, muitas ameaças escondem um quê de controle.
O Controlador-passivo costuma se colocar no lugar de vítima, e, quando faz isso, se utiliza da chantagem emocional para acusar a outra pessoa.
Infelizmente, não são poucas as pessoas que passam por essa situação e terminam se sentindo responsáveis pela infelicidade do outro. Por não serem o suficiente ou boas o bastante para a relação.
Isso acontece, pois, quem está sendo controlado, geralmente tende a fazer um esforço enorme para satisfazer o manipulador por não se sentir digno dos sentimentos, da entrega que este afirma empenhar no relacionamento.
Portanto, vemos aqui um ponto importante: quer seja no apelo a superioridade de seus afetos, ou outras formas de se impor como “mais capaz”, pessoas controladoras sempre buscarão se impor atacando de alguma forma a autoestima do outro. Isso é algo tão complicado, que, na relação entre filhos e pais controladores, estes tendem a se afastar dos pais ao se sentirem não merecedores de afeto.
2. O Controle Também Pode Ser Silencioso
Apesar de se utilizar de ações como isolar, ignorar, abandonar, para permanecer no poder, por mais incrível que pareça, a omissão também costuma ser utilizada como ferramenta de controle. Ou seja, para dominar, a pessoa controladora costuma utilizar de sua autoridade para silenciar e não abrir diálogo com o outro. Esse tipo de ofensiva acontece principalmente em relações paternais.
Eu queria ser músico e não médico. Cheguei em casa com o violão, pronto para contar, ou melhor, enfrentar o velho… Mas… Ele só me olhou por alguns minutos e continuou a ler o jornal… Larguei o violão e fui para o quarto Estudar pra medicina…
Não sou um cara plenamente realizado se quer saber…
C. Henrique, 32 anos
Pessoas agredidas de “forma silenciosa”, ao aceitarem a agressão do outro, tendem a nutrir raiva e outros sentimentos negativos, os quais podem se tornar somáticos com o tempo, com sério potencial para gerar doenças complicadas em algum momento.
Quando pessoas controladoras constituem parte do tecido familiar, é preciso ter em mente que todos, sem exceção, precisarão de ajuda profissional para sair com efetividade dessa situação. Afinal, trata-se de um ciclo vicioso, que se retroalimenta até que filhos saiam de casa brigados com os pais, ou, até mesmo que um divórcio venha a acontecer.
3. Pessoas Controladoras Não Estão Interessadas em Seus Sentimentos
Lamentavelmente, falar dos seus sentimentos, se abrir para uma pessoa assim não surtirá o efeito que você gostaria; pior, uma vez que alguém coloca seus sentimentos nas mãos desse tipo de pessoa, corre o risco de possibilitar a este que se sinta ainda mais no controle.
Quando escancaramos nossas fragilidades, sem querer, podemos permitir a pessoa controladora que fique com o ego ainda mais inflado e adentre limites que não deveria.
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